Lacen-PA realiza palestra sobre acidente com perfurocortante

POR ROBERTA VILANOVA · 22 DE FEVEREIRO DE 2019

Cerca de 60 funcionários do Laboratório Central do Estado (Lacen-PA) participaram, na última terça-feira (19), da palestra “Acidente de Trabalho com Perfurocortante e Produtos Químicos”, proferida pelo médico do Trabalho Benones Carvalho, que é presidente da Sociedade Paraense de Medicina do Trabalho.

Segundo a diretora técnica do Lacen-PA, Valnete Andrade, a iniciativa contempla o que prevê o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), que passaram por atualização no segundo semestre de 2018.  “Como instituição de Saúde Pública, que conta com mais de 300 servidores e trabalha com materiais biológicos e diversas substâncias químicas, é fundamental que o Lacen-PA cumpra o que diz a legislação vigente no que se refere à prevenção de acidentes e doenças do trabalho”, disse a diretora técnica.

A assistente social e coordenadora do Serviço de Atenção à Saúde e Segurança do Trabalho (SASST), Micheline Ramos, informou que os acidentes de trabalho são raros no Lacen-PA, mas é importante que os funcionários estejam atualizados e preparados para agir caso aconteçam. “A palestra de hoje é uma ação preventiva e todo o conhecimento adquirido contribuirá muito para as ações nos processos de trabalho do Lacen-PA”, disse a coordenadora.

Conforme Micheline, além de adotar medidas para evitar acidentes, os funcionários precisam conhecer bem o protocolo de profilaxia em caso de acidentes com perfuro cortante.  “Nesse caso, é importante que o antirretroviral Zidovudina (AZT) seja tomado até duas horas após o acidente. Para isso, o Lacen-PA conta com o apoio da Unidade de Referência em Doenças Infecciosas e Parasitárias Especiais (Uredipe), que dispõe do medicamento. Também é fundamental que profissional acidentado não abandone o tratamento”, observou a assistente social, acrescentando que o funcionário acidentado conta, ainda, com apoio psicológico e social.

Benones Carvalho informou que as chances de ocorrer infecção pelo HIV é de 0,3% após a exposição percutânea e de 0,09% após exposição mucocutânea (contato com mucosas), caso o sangue esteja contaminado.

Ele ressaltou, no entanto, que a hepatite B oferece maior risco que o HIV, pois o risco de infecção após exposição percutânea é de 40%, caso o paciente-fonte tenha sorologia HBsAg reativa, ou seja, tenha hepatite B. Já no caso de hepatite C, as chances caem para 1,8%.

“Olha como Deus é maravilhoso”, disse Benones, porque exatamente contra a hepatite B, a doença mais grave, é que existe vacina, portanto os trabalhadores precisam tomar a vacina e confirmar se desenvolveram anticorpos.

EPI – Por tudo isso que é indispensável o uso dos equipamentos de proteção individual (EPI) como luvas, máscaras, gorros, óculos e capote durante a realização de procedimentos em que haja a possibilidade de respingo de sangue e outros fluidos corpóreos nas mucosas da boca, nariz e olhos do profissional.

Então, como antecipou Micheline, em caso de acidente com perfurocortante a profilaxia deve ser feita até duas horas após o acidente com antirretroviral AZT, mas as medidas profiláticas pós-exposição não são totalmente eficazes. Daí a importância das medidas preventivas para que os acidentes não ocorram.  “É necessário implantar ações educativas e preventivas que familiarizem os profissionais de saúde com as precauções universais e os conscientizem da necessidade de empregá-las adequadamente”, alertou Benones. Para o especialista, “acidentes de trabalho com sangue e outros fluidos potencialmente contaminados devem ser tratados como emergências médicas”.

Por fim, Benones lembrou que no pós-acidente é importante: ter um protocolo de atendimento, criar uma rotina de trabalho, treinar pessoas responsáveis para atendimento imediato ao acidente com material biológico; ter o “kit Aids”; colher os exames do paciente e do funcionário, avaliar início de medicação precocemente; e fazer a notificação do acidente dentro do prazo estipulado. Conforme a diretora técnica, Valnete Andrade, todas essas recomendações feitas pelo palestrante já são executadas pelo Lacen-PA.

Texto e fotos: Roberta Vilanova

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