Sespa quer fortalecer Vigilância Epidemiológica Hospitalar

Oficina reune representantes dos Centros Regionais de Saúde e Hospitais Regionais

Promover uma maior integração entre os Núcleos de Vigilância Epidemiológica Hospitalar (NVEHs), definir novas estratégias de Vigilância em Saúde, incentivar e capacitar os técnicos para a implantação desse serviço nos hospitais em que ainda não existem são os principais objetivos da oficina que o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) da Sespa está realizando desde esta quarta-feira (05), no auditório do Laboratório Central do Estado (Lacen-PA).

O evento conta com a participação de representantes de hospitais de média e alta complexidade, Centros Regionais de Saúde, Lacen-PA e Diretoria de Vigilância em Saúde.

Daniele Nunes, coordenadora do Centro de Informações Estratégicoas e, Vigilância em Saúde

Segundo a coordenadora do Cievs, Daniele Nunes, o trabalho dos NVEHs é fundamental para a notificação das doenças e dos agravos à saúde nas Regiões de Saúde. “Então, quando a gente tem um hospital com Núcleo atuante, consegue-se ver o que está circulando em determinada região e se ocorrer algum agravo de notificação imediata, a gente consegue intervir de maneira mais eficiente e oportuna”, disse Daniele.

Ela explicou que o NVEH funciona como se fosse uma Vigilância Municipal, só que dentro do hospital. Capta os casos que a equipe assistencial apontou como suspeito de alguma doença de notificação compulsória ou agravo à saúde e, a partir daí, desenvolve todo um trabalho voltado para a Vigilância Epidemiológica. “Investigação epidemiológica, análise de dados e levantamento de todas as informações necessárias para subsidiar a tomada de decisão pela gestão municipal com apoio da gestão estadual”, detalhou a coordenadora do Cievs.

De acordo com Daniele, as informações são, primeiramente, encaminhadas para o gestor municipal, que encaminha para o Centro Regional de Saúde, e esse para o Nível Central da Sespa. No entanto, quando se trata de doenças de notificação compulsória imediata, além de seguir esse fluxo, é importante que o Cievs seja logo notificado do caso para que as medidas sejam tomadas o mais breve possível.

Equipe do Hospital Barros Barreto mostra como o NVEH funciona

Conforme Daniele, os Hospitais Regionais de gestão direta pela Sespa como de Tucuruí, Cametá, Conceição do Araguaia e Salinópolis, dispõem de Núcleos bastante efetivos. No que tange aos Hospitais Regionais mais novos, o Cievs está incentivando a implantação do serviço onde ainda não há e a fortalecer onde já existe. “Hoje, nós temos 27 hospitais que estão tendo acompanhamento pela Divisão de Vigilância Epidemiológica da Sespa e o Cievs pretende montar uma implantar uma Rede Estadual de Núcleos de Vigilância Epidemiológica Hospitalar”, disse Daniele.

Para Daniele, é importante o apoio da gestão para que os Núcleos sejam implantados e funcionem bem. “O gestor precisa saber que o Núcleo pode auxiliá-lo na tomada decisão e condução do seu trabalho na instituição, uma vez que é o NVEH que tem todas as condições de informar que tipos de doenças e agravos estão chegando ao hospital”, afirmou Daniele.

A coordenadora do Cievs disse que a preocupação atual do Centro é com as doenças de notificação compulsória imediata, como o sarampo por exemplo, cujas notificações, muitas vezes, demoram a chegar na Sespa.  Ela ressaltou, ainda, que o Núcleo também pode ser sentinela para eventos emergentes, ou seja, doenças ou agravos novos na região.

Equipe do NVEH do Hospital Regional de Tucuruí, Milton Nazaré, Elisabeth Fontenele, Edilaine Lima e Paula Dorighetto

Bom exemplo – Para a enfermeira e coordenadora do NVEH do Hospital Regional de Tucuruí, Elisabeth Fontenele, a importância da existência do Núcleo no hospital é que o gestor tem acesso a um melhor desenho epidemiológico não só do município onde está o hospital, mas também de todos os municípios que fazem parte da região.  “Fica muito mais prático para o gestor quando ele recebe dados mais precisos por parte desse núcleo hospitalar”, disse a coordenadora.

Em relação à região onde está o Hospital Regional de Tucuruí, Elisabeth disse que os principais agravos tem sido acidentes com animais peçonhentos, leishmaniose visceral, doença de Chagas por transmissão oral e síndrome gripal por influenza.

Ela disse que o Núcleo existe há dez anos, funciona bem e não enfrenta dificuldade porque tem total apoio da gestão. “Nos últimos oito anos, uma das coisas fundamentais que aconteceu, realmente, foi a integração com o gestor do hospital. Pois o NVEH flui melhor quando ele tem a visão do gestor do hospital. Então, o Núcleo do HRT é ligado já há seis anos diretamente à Direção Geral e eu não tenho dificuldade no fluxo e nem na aplicabilidade dos recursos financeiros específicos para manter o funcionamento do serviço”, afirmou Elisabeth.

A oficina prossegue nesta quinta-feira (06), com sete apresentações abordando temas como Influenza, Aids e Sífilis, Sarampo e Rubéola, Hepatites Virais, Meningites e Amostra de Experiências Exitosas.

Texto: Roberta Vilanova

Fotos: José Pantoja

Você pode gostar...