Sespa inicia projeto inovador de combate ao mosquito da dengue

Aline Carneiro, coordenadora estadual de Controle da Dengue (Foto José Pantoja)

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) iniciou, no mês de setembro, em um condomínio de Belém e outro de Ananindeua, o primeiro Projeto de Instalação de Estações Disseminadoras de Larvicida (EDs) para combate ao mosquito da dengue.

Com duração de um ano, o trabalho está sendo desenvolvido pela Coordenação do Programa Estadual de Controle da Dengue e pela Divisão de Entomologia do Laboratório Central do Estado (Lacen-PA) com apoio das Secretarias Municipais de Saúde de Belém (Sesma) e Ananindeua (Sesau).

Segundo a coordenadora estadual de Controle da Dengue, Aline Carneiro, esse é o primeiro projeto feito por uma Secretaria de Saúde, pois os projetos de estações disseminadoras têm sido realizados por instituições de pesquisa como a Fundação Oswaldo Cruz, que instalou EDs em 17 estados, só que o Pará nunca foi contemplado.

O objetivo é diminuir os focos de mosquitos transmissores da Dengue, Zica e Chikungunya, já que a estação ajuda a impedir que o mosquito nasça. “Não vamos interferir nas ações que já são realizadas hoje de combate ao Aedes aegypti. É uma ação complementar. Pois, no estado do Amazonas, por exemplo, que tem clima parecido com o nosso e que foi o primeiro estado a realizar o projeto há dois anos, houve uma redução de 85% no número de focos. Então, a gente acredita que dará certo”, disse a coordenadora.

Equipes de Endemias da Sesma e Sespa

Estratégia – As Estações Disseminadoras de Larvicidas são confeccionadas com um recipiente de plástico, um pedaço de pano, água e 5g do larvicida Pyriproxyfen. O larvicida em pó é diluído na água até formar uma pasta para ser distribuída com um pincel homogeneamente sobre o pano que está preso ao redor da boca do recipiente com água.

A finalidade é que o mosquito, ao pousar no pano, fique com o produto nas patas, levando-o para os criadouros. O produto age sobre as larvas, que mesmo que cheguem à fase de pupa, não se transformam em mosquitos adultos capazes de se reproduzir. Além disso, o Pyriproxyfen afeta o mosquito já complemente desenvolvido, diminuindo a sua capacidade de pôr ovos e fazendo com que dos que são postos, 80% não cheguem a se transformar em larva.

Jovelino Silva coleta a palheta com os ovos

Para a realização do projeto, a Coordenação do Programa Estadual de Controle da Dengue escolheu o Condomínio Cidade Jardim II, na Rodovia Augusto Montenegro em Belém, e o Condomínio Aspha Ville em Ananindeua, onde puderam contar com a receptividade da Administração dos condomínios e dos condôminos, que participaram de uma reunião e assinaram um termo de adesão, autorizando a instalação da ED na residência.

Era necessário que o condomínio não tivesse realizado nenhum trabalho de borrifação intra ou extradomiciliar com inseticida em um período mínimo de 30 dias.

Em cada condomínio, será instalada uma ED para cada dez imóveis, em ambiente de sombra e protegido da chuva, preferencialmente bem quintais, jardins, lavanderias, áreas de serviço, garagens, varandas etc.. O principal cuidado é que fique longe de crianças e animais domésticos.

A verificação mensal das estações será feita por agentes de controle de endemias acompanhados de um supervisor, que observa a quantidade de água de cada estação e de larvicida e completa conforme a necessidade.

Paoola Vieira, oordenadora-da Divisão de Entomologia do Lacen-PA

Etapa inicial – A primeira etapa, que foi finalizada na última quarta-feira (16), consiste do uso de armadilhas para coleta de ovos de mosquitos antes da instalação das EDs para comparação futura.

A coordenadora de Entomologia do Lacen-PA, Paoola Vieira, informou que a coleta de ovos de Aedes vem sendo feita semanalmente para saber o número de mosquitos no local onde serão instaladas as EDs. “Hoje, foram retiradas as 45 armadilhas da terceira e última semana de coleta dos ovos. Na próxima semana, começa a instalação das estações disseminadoras e, daqui a dois ou três meses, faremos nova coleta de ovos para saber se já houve impacto nos focos”, explicou a entomologista.

No Condomínio Cidade Jardim II, as armadilhas foram colocadas e recolhidas por equipes de Endemias da Sespa e Sesma.

A armadilha é feita com um pequeno balde com água e uma palheta no interior, onde a fêmea do mosquito põe os ovos. Esses ovos vão para a Divisão de Entomologia do Lacen-PA para contagem e verificação se estão ou não infectados pelo vírus da dengue.

Jovelino Silva acondicna a palheta que vai para o Lacen-PA

O coordenador da equipe de Endemias da Sesma, Jovelino Silva, disse que os profissionais que participaram dessa etapa devem se tornar multiplicadores e treinar os agentes que atuarão na expansão do projeto. “O uso de estações disseminadoras é uma estratégia importante, principalmente, porque existem muitos imóveis fechados onde os agentes não têm acesso para eliminar os focos de mosquito”, justificou o coordenador.

Participação – A subsíndica social do Cidade Jardim II, Andréia Rodrigues, disse que é gratificante para a Administração do condomínio poder participar de um projeto de natureza científica como esse. “É uma maneira de nós contribuirmos com o desenvolvimento de uma estratégia que vai ajudar a combater o mosquito, que causa várias doenças

A condômina do Cidade Jardim II, Heloísa Santos Gaspar, que mora há sete anos no Cidade Jardim II, teve sua casa selecionada e apoia o projeto. “É importante porque há muito acúmulo de água em casas ainda desabitadas e em locais que a gente nem percebe”, disse a moradora.

Texto e fotos: Roberta Vilanova

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