Médicos e enfermeiros participam de capacitação sobre a Covid-19

Treinamento para médicos e enfermeiros no HUJBB

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) e o Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB) realizaram, nesta terça-feira (03), no Centro de Estudos do HUJBB, uma capacitação para médicos e enfermeiros dos hospitais de referência para atendimento de pacientes com suspeita de Covid-19, a doença causada pelo vírus SARS-CoV2.

A diretora de Epidemiologia da Sespa, Ana Lúcia Ferreira, apresentou aos profissionais todas as ações realizadas pela Sespa desde a implantação do Comitê Técnico Assessor de Informações Estratégicas e Respostas Rápidas à Emergência em Vigilância em Saúde referentes ao SARS-CoV2, ressaltando a elaboração do Plano de Contingência Estadual para a Infecção Humana pelo Novo Coronavírus.

Ana Lúcia Ferreira, diretora de Epidemiologia da Sespa

Ana Lúcia Ferreira também enfatizou a importância da notificação do caso suspeito, que deve ser feita imediatamente à Vigilância Municipal e também sobre a coleta de amostra para análise pelo Laboratório Central do Estado (Lacen-PA) e Instituto Evandro Chagas. “É fundamental que os hospitais também busquem identificar imediatamente os contatos do caso suspeito”, enfatizou a diretora da Sespa.

Ela solicitou, ainda, que os profissionais sensibilizem seus colegas para a conduta ética e preservação dos pacientes que chegarem aos hospitais com suspeita de Covid-19, não divulgando nada sobre eles em redes sociais e outras formas de divulgação, pois só a Sespa e Secretarias Municipais de Saúde estão autorizadas a informar sobre casos suspeitos no Pará.

Rita Medeiros, médica infectologista e virologista do HUJBB

Vírus – A médica infectologista e virologista Rita Medeiros, do HUJBB, fez uma ampla exposição sobre todos os tipos de coronavírus até chegar ao SARS-CoV2, identificado na China, em dezembro de 2019.

Ela mostrou as características de cada um deles, os sinais e sintomas que causam e as formas de transmissão. Também mostrou como vem sendo feito o tratamento dos pacientes acometidos pela doença, apesar de ainda não haver um medicamento específico para combatê-la.

Cuidados no ambiente hospitalar – O médico infectologista Lourival Marsola, também do HUJBB, iniciou sua apresentação informando que o SARS-CoV2 foi descoberto na China no dia 31 de dezembro e que de lá para cá tem causado um impacto que não se restringe à área da saúde. “Causou um grande impacto social e no mercado financeiro, mas foi a primeira vez que eu presenciei uma resposta tão rápida e forte por parte das autoridades de saúde mundiais para combater uma doença nova”, declarou.

Ele também mostrou um panorama de como a doença tem se comportado desde a sua descoberta, informando que 80,7% dos casos se apresentam de forma leve, 13,8% severa, 4,7% grave, e que a mortalidade tem sido maior nas pessoas com mais de 80 anos de idade.

Lourival Marsola, médico infectologista do HUJBB

Depois, Marsola se deteve às orientações em relação ao atendimento de pacientes com suspeita de Covid-19 nos hospitais e todos os cuidados que os profissionais de saúde devem ter desde a entrada na recepção até o manejo do paciente no isolamento. O destaque foi para o uso correto das roupas e equipamentos de proteção individual.

Na recepção, é importante que o paciente com suspeita de Covid-19 receba uma máscara cirúrgica, seja orientado a higienizar as mãos e seja imediatamente afastado dos demais pacientes. Ele sugeriu, ainda, que haja um aviso na recepção direcionado às pessoas com suspeita de Covid-19 e seus acompanhantes, para evitar a contaminação dos demais pacientes no ambiente.

Marsola informou, ainda, sobre a importância de higienização das superfícies usadas pelo paciente e necessidade de treinamentos internos com detalhes sobre o uso adequado dos EPIs pelos profissionais de saúde nos hospitais.

Na oportunidade, a médica Naiara Chaves comentou os resultados da simulação de atendimento de caso suspeito de Covid-19, realizada pelo HUJBB, começando com transporte do paciente desde o aeroporto até o setor de isolamento do hospital.

Valnete Andrade

Coleta de amostras – O treinamento foi encerrado com a exposição da vice-diretora do Lacen-PA, Valnete Andrade, que informou tudo sobre o fluxo laboratorial, destacando a importância de haver técnicos treinados para fazer a coleta das amostras. Ela informou que a coleta deve ser feita, preferencialmente, entre o 3º e o 7º dia após o início dos sinais e sintomas. “Quem já foi treinado para colher amostra de casos suspeitos de H1N1 já está preparado para coletar de pacientes com suspeita de Covid-19, pois é o mesmo procedimento”, afirmou.

Segundo Valnete, o Lacen-PA está conseguindo fazer as análises em tempo hábil e está treinando profissionais de municípios e hospitais que ainda não haviam recebido treinamento.

Casos suspeitos – A partir de 1º de março passaram a vigorar, no Brasil, as seguintes definições:

  • Caso suspeito de doença pelo novo coronavírus (SARS-CoV2)

Situação 1: Febre e pelo menos um sinal ou sintoma respiratório (tosse, dificuldade para respirar, batimento das asas nasais entre outros) e histórico de viagem para área com transmissão local, de acordo com a OMS, nos últimos 14 dias anteriores ao aparecimento dos sinais ou sintomas; ou

Situação 2: Febre e pelo menos um sinal ou sintoma respiratório (tosse, dificuldade para respirar, batimento das asas nasais entre outros) e histórico de contato próximo de caso suspeito para o coronavírus (COVID-19), nos últimos 14 dias anteriores ao aparecimento dos sinais ou sintomas*.

  1. Provável de doença pelo novo coronavírus (SARS-CoV2)

Contato próximo domiciliar de caso confirmado laboratorial, que apresentar febre e/ou qualquer sintoma respiratório, dentro de 14 dias após o último contato com o paciente.

  1. Confirmado de doença pelo novo coronavírus (SARS-CoV2)
  2. A) CritérioLaboratorial: Resultado positivo em RT-PCR, pelo protocolo Charité.
  3. B) Critério clínico-epidemiológico: Contato próximo domiciliar de caso confirmado laboratorial, que apresentar febre E/OU qualquer sintoma respiratório, dentro de 14 dias após o último contato com o paciente e para o qual não foi possível a investigação laboratorial específica.

Serviço: todos os casos suspeitos de coronavírus devem ser notificados de forma imediata (até 24 horas) pelos profissionais de saúde responsáveis pelo atendimento, às Vigilâncias Municipais ou ao Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde Estadual (CIEVS/PA) pelo telefone (91) 99179-1860 ou pelo e-mail: cievs@sespa.pa.gov.br

Texto: Roberta Vilanova

Fotos: José Pantoja

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