Lacen-PA está habilitado para fazer análise específica da Covid-19

Farmacêutica-bioquímica, Gleissy Borges, manuseia o termociclador, equiepamento que analisa as amostras de vírus respiratórios

O Laboratório Central do Estado (Lacen-PA) começou, nesta quinta-feira (19), a realizar o exame específico para diagnóstico da Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV2). Pois, o Lacen-PA foi um dos 15 Laboratórios Centrais, cujos técnicos participaram, nos dias 17 e 18 de março, de uma capacitação para uso do kit SARS-CoV-2, no Instituto Evandro Chagas (IEC), um dos Laboratórios de Referência para a Covid-19.

A representante do Lacen-PA foi a farmacêutica-bioquímica Ilvanete Almeida, que recebeu o certificado em solenidade, na última quinta-feira (18), no auditório do Centro Nacional de Primatas (CENP).

Ilvanete Almeida informou que o treinamento com parte teórica e prática foi conduzido pelo Setor de Vírus Respiratórios da Seção de Virologia do IEC. “A partir de hoje, o filho é nosso, só o primeiro exame realizado pelo Lacen-PA precisará ser validado pelo IEC”, comemorou a farmacêutica, acrescentando que o IEC continua sendo a referência, mas não mais absorvendo as demandas dos municípios e hospitais do Estado do Pará.

Antes, o Lacen-PA realizava análise do painel de vírus respiratórios. Se o resultado desse negativo para todos, a amostra era enviada para o IEC para análise do novo coronavírus. Agora, essa análise está sendo realizada pelo próprio Lacen-PA, especificamente pela Seção de Virologia 1 da Divisão de Biologia Médica, contando com uma equipe de 11 profissionais, sendo cinco farmacêuticos-bioquímicos e seis técnicos de laboratório.

“Nossa expectativa continua sendo dar respostas para os casos, minimizar os pânicos, porque, na verdade, tem muita demanda que não tem critério e a gente precisa ir trabalhando no dia a dia para dar as respostas”, disse Ilvanete.

Ela explicou que a análise da amostra não demora, o que demanda tempo são as etapas de processo antes do teste. “Além disso, a equipe não trabalha só com vírus respiratórios, há outras demandas, como sarampo e arbovírus, por exemplo, e não podemos parar nenhuma”, enfatizou Ilvanete.

Avanço – Com a capacitação dos Laboratórios Centrais, o Ministério da Saúde pretende descentralizar e acelerar o diagnóstico laboratorial de Covid-19 em todo o Brasil.

Segundo a diretora do IEC, Giselle Vianna, o treinamento permitiu com que o IEC cumprisse uma das etapas do processo do plano de trabalho do Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde. “Estamos ampliando a vigilância laboratorial para todo o país, fazendo com que os Lacens também possam processar, executar e emitir os laudos em relação ao diagnóstico do novo coronavírus”, disse a diretora.

Giselle Vianna informou que o treinamento preparou os técnicos dos Lacens para o uso do novo kit de teste desenvolvido e fabricado pelo Instituto Bio-Manguinhos da Fiocruz. “A partir deste momento, os Laboratórios Centrais vão incorporar essa ferramenta e estão aptos a realizar análises para identificar a presença do novo coronavírus”, afirmou.

Ela disse, ainda, que os Laboratórios de Referência continuarão na retaguarda dando todo o suporte necessário, não só na geração de conhecimento dentro dos pilares da Vigilância e da Pesquisa Operacional, mas também, caso seja necessário, ainda, o esclarecimento de alguma situação inconclusiva, esses laboratórios, conforme sua área de abrangência, responderão oportunamente.

Em sua visita a Belém, o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, informou que a partir do estado do Pará, o Ministério da Saúde inicia o trabalho de automação da Rede Nacional de Laboratórios, com a instalação de equipamentos automatizados, que vão dar mais celeridade aos processos de análise laboratorial. “Colocaremos mais uma máquina para aumentar a capacidade de investigação laboratorial no Lacen-PA, liberando o IEC para atividades de apoio às demais unidades da Federação e países vizinhos, como Paraguai e Argentina, que têm pedido apoio ao Brasil”, disse o secretário.

“Apesar de a emergência ser tão preocupante para toda sociedade, ela vai deixar legados importantes entre os quais a capacidade laboratorial nacional, permitindo, assim, que os cidadãos possam saber sua condição de saúde de uma forma mais oportuna”, observou Wanderson Oliveira.

Apoio à rede privada – Em reunião com representantes dos Hospitais Privados, nesta quinta-feira (19), o diretor do Lacen-PA, Alberto Júnior, informou que, neste primeiro momento, além das amostras da Rede Pública de Saúde, o Lacen-PA ficará responsável pela análise de amostras dos casos graves atendidos na Rede Privada, e os demais casos ficarão sob responsabilidade dos próprios hospitais conforme a resolução 453 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que prevê que os planos de saúde devem viabilizar o exame laboratorial dos pacientes com suspeita de Covid-19. “Para a coleta da amostra, o hospital deverá acionar a Vigilância Municipal”, explicou, ressaltando que devem ser respeitados os critérios de caso suspeito preconizados pelo Ministério da Saúde.

Essa medida foi adotada porque o governo do Estado sabe que nem todos os hospitais da rede privada têm condições de viabilizar o exame específico de Covid-19 e os dados são fundamentais para a Vigilância Epidemiológica.

Alberto Júnior ressaltou, ainda, que até o momento, 80% das amostras recebidas pelo Lacen-PA vieram da rede privada e que a maioria não se enquadrava como caso suspeito de Covid-19. “É fundamental respeitar os critérios para que não haja desperdício de material para exame, para que não falte mais tarde se o número de casos aumentar no estado”, alertou.

O diretor do Lacen-PA também ofereceu aos hospitais capacitação de profissionais para coleta de amostras de casos suspeitos de Covid-19 e outros vírus respiratórios.

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